Future of Transport - Flash Eurobarometer

Mar 20 2014

Future of Transport – Flash Eurobarometer

Em 2010, sob pedido da Direcção Geral de Mobilidade e Transportes da Comissão Europeia, a Gallup inquiriu europeus nos 27 países da união sobre os seus hábitos de transporte e sobre o que os faria trocar viagens em  automóvel particular por deslocações em transportes coletivos (o relatório completo pode ser consultado aqui).

Notem que o objetivo não é (nem nunca poderá ser) que se deixe completamente de utilizar o automóvel particular. A utilidade do carro não está em causa. E, em muitas situações, a deslocação por carro é a única opção viável.  O que está em causa é a distribuição das nossas deslocações por diferentes meios de transportes. Grande parte destas deveriam ser realizadas em transportes coletivos e /ou modos suaves e uma menor percentagem utilizando o automóvel particular.

Muitos dos resultados são divididos por países e nas secções seguintes analisamos alguns dos resultados dos inquiridos portugueses.

Principal modo de transporte

De acordo com os resultados do inquérito, o carro é o principal modo de transporte para 53% dos inquiridos; 22% desloca-se maioritariamente em transportes públicos e os restantes 25% dividem-se entre outros meios de transporte entre os quais caminhar e a bicicleta.Eurostat4Neste aspecto Portugal apresenta aproximadamente a mesma repartição modal que a média dos 27 países da União Europeia. Apresenta, no entanto, uma menor percentagem de utilizadores de bicicleta compensada com uma maior percentagem de inquiridos que caminham como principal modo diário de deslocação.

Não estão disponíveis resultados demográficos e sociais para cada país individualmente mas, no conjunto de dados da União Europeia, os homens são os maiores utilizadores de carro (60% vs 40% de mulheres), sendo este o meio de transporte preferencial para ambos os géneros. Os dados indicam também que são as mulheres as maiores utilizadoras de transportes públicos (25% vs 18% homens) e são também elas quem mais caminha (16% vs 9% dos homens).

Na distribuição por idades, a maior percentagem de utilizadores de transportes públicos situa-se entre os 15 e os 24, sendo que os respondentes com mais de 25 anos privilegiam o automóvel como principal meio de transporte. Na distribuição sobre o local de residência a única diferença está nas percentagens de cada segmento uma vez que quer os utilizadores das áreas metropolitanas, quer os utilizadores urbanos, quer os rurais indicam o carro como o principal meio de transporte. A situação repete-se quando se compara a utilização de transportes por nível de educação e por tipo de ocupação.

Com a utilização do carro a ser privilegiada por todos os segmentos sociais e demográficos (com exceção dos utilizadores abaixo da idade legal para conduzir), importa perceber as razões para este comportamento.

Razões para os utilizadores de carro não utilizarem os transportes públicos

Para conhecer o porquê da não utilização dos transportes públicos, foi pedido aos respondentes do inquérito que avaliassem a importância de 5 fatores na sua decisão: falta de ligações, baixa frequências de serviço, preço, confiança no serviço, conveniência em relação ao carro, informação sobre horários e segurança. Os resultados são apresentados no gráfico abaixo.

Eurostat1

A falta de ligações e as baixas frequências de serviço são avaliados como as razões mais importantes, com a falta de informação sobre horários a aparecer apenas em 6º lugar quando os resultados são ordenados pela soma das opiniões “Muito importante”  e “Importante”. Contudo estes resultados levantam uma dúvida. Será que a falta de ligações e a baixa frequência do serviço é “real” ou será apenas resultado do desconhecimento por parte dos utilizadores? Infelizmente o inquérito não controla esta variável pelo que não é possível saber ao certo. No entanto, a questão seguinte pode trazer alguma luz a este assunto.

Que melhorias poderão encorajar os utilizadores de carro a combinar diferentes modos de transporte?

Eurostat2Nesta segunda questão, os inquiridos portugueses indicam que melhor transferências entre modos de transporte e maior informação online sobre horários são as duas principais melhorias que os podem convencer a trocar o carro por transportes coletivos. Quando comparados com os resultados nos restantes países, Portugal encontra-se abaixo da média europeia apenas na resposta “Melhores transferências entre modos de transporte”, sugerindo que seja nos outros aspectos que as melhorias devam acontecer, para que os utilizadores troquem viagens em automóvel próprio por viagens em transportes coletivos ou modos suaves.

Os resultados do ponto de vista do TransportesPúblicos.pt

Para terminar, contextualizando o TransportesPúblicos.pt com estes resultados, vemos um calculador de itinerários como uma forma de não só prestar informação online sobre horários e percursos mas, ao calcular as melhores ligações entre modos (incluindo a bicicleta) e informar sobre os locais de transferência, de melhorar também o aspecto mais referenciado pelos utilizadores: as transferências entre modos. Desta forma, acreditamos que o TransportesPúblicos.pt pode contribuir para facilitar a transição entre o automóvel particular e os transportes coletivos e modos suaves.

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